quinta-feira, 10 de julho de 2008

.:. CÓLICA MENSTRUAL MUITO FORTE NÃO É NORMAL! .:.

Se houver ainda dificuldade para engravidar e desconforto nas relações sexuais é preciso investigar, pois podem ser sintomas de endometriose, doença que acomete quase 5 milhões de mulheres no Brasil
Foto: Divulgação

Considerada pelos médicos como uma das doenças ginecológicas benignas mais freqüentes entre as mulheres jovens, a endometriose é caracterizada pela presença de células do endométrio – tecido que cobre a camada interna do útero - fora da cavidade uterina e acomete cerca de 10% a 15% das mulheres no menacme (período reprodutivo).

A endometriose foi relatada pela primeira vez no início do século passado (1917), no entanto, sua importância e o diagnóstico correto vêm crescendo nos últimos 15 anos. O diagnóstico é feito através do quadro clínico (sintomas específicos), de exame físico ginecológico adequado (toque vaginal), exames de imagem (como ultra-som trans-vaginal e ressonância nuclear magnética da pelve) e, finalmente, confirmado pela cirurgia laparoscópica, realizada por meio de pequenas incisões.

Entre os sintomas mais importantes, destacam-se as fortes cólicas menstruais, dores nas relações sexuais, dor pélvica crônica e infertilidade. O ginecologista do Hospital San Paolo, Dr. Giuliano Borrelli, alerta que dores na região pélvica e cólica menstrual freqüente são, muitas vezes, os primeiros sintomas da endometriose. “Mas também dores para evacuar e sangramento nas fezes que aparecem ou pioram no período menstrual podem sinalizar o acometimento intestinal da doença, forma mais severa e de difícil tratamento”, afirma o doutor. Da mesma forma que agride o intestino, pode também atingir outros órgãos como bexiga, vagina, colo do útero e ligamentos uterinos.

São conhecidas três formas diferentes de apresentação dessa doença: a primeira delas é a endometriose ovariana, que se caracteriza pela formação de cistos nos ovários (endometriomas). Essa variedade pode estar associada à infertilidade, porém, raramente é causa de dor importante. É considerada pelos médicos como a forma mais comum e que, na maioria das vezes, dependendo do tamanho, deve ser tratada cirurgicamente por meio da remoção dos cistos.

As outras formas de apresentação são a endometriose superficial, em que ocorre uma invasão de até 0,5cm de profundidade no peritônio de órgãos como bexiga, intestino, colo uterino; e a profunda, que infiltra 0,5cm ou mais o peritônio desses órgãos. Nesse último estágio os sintomas são mais exuberantes e os tratamentos cirúrgicos mais complexos. No caso do acometimento profundo do intestino, por exemplo, pode ser necessária a remoção de um segmento intestinal para o tratamento adequado.

Nenhum tratamento pode curar definitivamente a endometriose, a não ser a retirada de ambos os ovários, o que teoricamente acabaria com a fonte hormonal que mantém a doença ativa e faz proliferar os focos de endometriose. No entanto, este procedimento não é muito adequado para a grande maioria das portadoras da doença, que são jovens e sofreriam conseqüências danosas com a falta de estrogênio causada pela ausência dos ovários.

“Não existe cura para endometriose, é importante que as pacientes portadoras sejam diagnosticadas e tratadas precocemente antes que a doença atinja suas formas mais agressivas”, afirma Borrelli. “É possível controlar os sintomas através de tratamentos clínicos e cirúrgicos, melhorando muito a qualidade de vida dessas jovens mulheres, mas, para isso, as pacientes devem ser acompanhadas por profissionais capacitados e treinados”, completa o especialista.

Ao perceber qualquer um dos sintomas descritos acima, a mulher deve procurar um ginecologista especialista, com a finalidade de fazer investigação adequada e, principalmente, o diagnóstico precoce, para que possa ser corretamente orientada e tratada.

Dr. Giuliano Borrelli é ginecologista do Hospital San Paolo, formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e pós-graduando na área de endometriose no Hospital das Clínicas da FMUSP.

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